DNA DITADOR, DNA DIALÉTICO

 

DNA DITADOR, DNA DIALÉTICO 

Por Marco Vasques 

Publicado no jornal Notícias do Dia [14/11/2011]

            Eles não fazem questão de se esconder. São mais rasos que pires de xícara pós-moderna. Nunca estão na mediania. Estão sempre nos extremos. Seja na sua esquerda, seja na sua direita. Nós os encontramos em todos os cantos e em todos os lugares. Estão entre os políticos, artistas, empresários, professores, caminhoneiros, enfim, em todas as classes, em todos os setores e sexos. Não respeitam seus homens, mulheres, filhos, vizinhos e amigos.

            Nunca estão sozinhos porque têm sempre uns asseclas para aplaudirem suas verdades. Estão sempre na superfície. Não suportam pessoas que tenham ideias contrárias às suas. Não suportam, sobretudo, a ideia de que a pessoa que tem opinião distinta à sua possa contradizer alguns de seus argumentos. Detestam argumentação. Detestam mais ainda que você possa saber um pouco mais sobre algo, porque eles sabem tudo de tudo. E para tudo têm a sua panaceia.

            São perseguidos pelos próprios fantasmas. Burro é uma palavra que gostam de usar bastante para desqualificar quem fala, vive, escreve ou pensa com outras cores. Se acham especiais e têm que ser sempre os primeiros a serem vistos, atendidos e beijados. Estão sempre se atribuindo um poder hercúleo, inabalável, que só existe em suas imaginações. 

            Julgam sempre. Nunca procuram entender a fala do outro. São monocórdicos, obtusos e defendem as mesmas ideias há anos. A verdade, se é que ela existe, nunca está com o outro, nunca está no olhar alheio. Têm a ilusão que são à prova de contestação. Adoram emitir opiniões sobre o que não sabem e destratar pessoas que desconhecem.

            São intolerantes, preconceituosos, racistas. Cuidado leitores, porque eles são, também, camaleões. Se disfarçam sob voz doce, oratória bonita e circular. Os que alcançam algum poder real? Esses não precisamos passar na máquina do código de barras. O código já vem todo descodificado. Dá-se um conselho, uma gerência, uma consultoria, uma diretoria ou uma missão insignificante qualquer que se insuflam e nascem mais uns deuses da verdade total.

            A grande maioria deles são identificáveis sem a necessidade do uso da lupa, instrumento arcaico, mas eficaz na captura da miríade de DNA ditador que nos rodeia. Eles estão em Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Shakespeare sempre inseguros e abalados por fantasmas que criaram. E, infelizmente, eles estão, aos montes, vigilantes, entre nós. São portadores do DNA ditador e é preciso combatê-los, transformá-los. Não eliminá-los, para não sermos os ocupantes de suas cadeiras e os novos ditadores disfarçados por traz de um DNA dialético. 

 

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