A SIMPATIA

 A SIMPATIA

 POR RUBENS DA CUNHA

Publicado no jornal A Notícia [25/02]1/2012]

A simpatia é uma das melhores características humanas. O dicionário não trata a simpatia como uma característica individual. Vinda da palavra grega sympátheia, significa etimologicamente “conformidade de gênios”. Na verdade, tudo gira em torno da “patia”, ou do pathos, o sentir, o sentimento. Assim, os prefixos em torno da “patia” determinam as variantes. Simpatia é um sentir junto. Empatia é sentir pelo outro. Apatia é não sentir. Antipatia é sentir repulsa. De todas essas, a simpatia é a mais complexa, a mais variável. A primeira acepção constante no dicionário diz que a simpatia é uma “tendência ou inclinação que reúne duas ou mais pessoas”. Quer dizer, ninguém consegue ser simpático sozinho, é preciso que o outro nos considere simpático. É preciso que sejamos julgados e aprovados pelo olhar do outro. Outra acepção do dicionário comprova essa dependência que a simpatia tem do julgamento alheio: “Sentimento caloroso e espontâneo que alguém experimenta em relação a outrem”.

A simpatia é como se fosse um prêmio dado a quem nos é agradável. Às vezes, parece ser consolação, como no caso das misses que elegem entre si a miss simpatia. Por que será que quem vence o concurso quase nunca é a miss simpatia? A ideia de simpatia também é atenuante para outras ausências. “Não é bonita, mas é simpática”. “Não é sarado, mas é simpático” “não é magra, mas é simpática”, aliás, gordo e simpatia são quase sinônimos no imaginário popular. E por aí vai.

 A empatia, a meu ver, é um pouco mais simples, pois, para nos colocarmos no lugar do outro, sobretudo em situações de desespero, de injustiça, é algo até esperado da maioria das pessoas. Mas a simpatia não, a simpatia é uma relação pessoal, tem que acontecer uma química. Às vezes, pode ser construída, mas geralmente é determinada na primeira impressão. E também ninguém nos julgará se não considerarmos tal pessoa simpática. A coisa toda fica no campo das subjetividades, bastando apenas cuidarmos para não confundirmos “antipatia” com preconceito.

 Ser simpático é bom, porém, nada pior do que o simpático forçado, algo muito comum em vendedores ouem atendentes. Paraque a simpatia aconteça é preciso, acima de tudo, naturalidade. Qualquer resquício de representação, de forçação de barra desanda à “conformidade dos gênios”. Claro que ser simpático também é um pouco de aprendizagem, um pouco de malemolência do espírito e equilíbrio emocional. Pessoas bem relacionadas emocionalmente adentram mais fácil no campo da simpatia do que os neuróticos, os sem autoestima, a tropa da reclamaçãozinha por tudo de ruim que lhes acontece. Não há simpatia que resista a gente mal-humorada, pedante, agressiva.

 A simpatia é um bem para a humanidade. Não é à toa que, no Brasil, simpatia é sinônimo daqueles rituais que fazemos para ter boa sorte, conseguir um novo amor, nos livrarmos de uma doença e, claro, até de gente antipática.

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