O VERÃO

Crônica de Rubens da Cunha, Publicada no Jornal A Notícia, no dia 22/02/2012

O VERÃO

O verão entra no seu mês final. O Carnaval acabou e o ano começa. A vida vai se ajeitando ainda sob o ar-condicionado. Choveu pouco para os padrões de fevereiro. Nas praias, milhares locupletaram-se em areia, sol, mar. Vendedores abasteceram a necessidade de consumo com redes, cortinas, óculos, bugigangas, além das comidas: churros, queijo assado, sanduíches, bebidas, milho verde, tudo meio anti-vigilância sanitária.

A temporada deixa marcas, não apenas na economia do estado, mas na vida de cada cidade que recebe os turistas. Há sempre uma respiração diferente ou um falar estrangeiro que se mistura ao português, além disso, os sotaques se multiplicam. As placas dos carros demonstram as distâncias percorridas para chegar ao litoral catarinense e também fazem com que a gente imagine como serão essas cidades desconhecidas, cujos moradores vem se misturar por aqui. Assim, dos gaúchos de Mostardas aos paraenses de Onças, todos se encontram nas mesmas filas, nas mesmas ondas, no mesmo objetivo de vivenciar ao máximo o verão. Para muitos, o contato com a praia só se dá nesses dias, depois eles retornam aos seus lugares sem mar, deixando a promessa de que voltarão ano que vem. Muitos voltam para o mesmo lugar, outros buscam novos caminhos, novos recantos, afinal, opções é o que não faltam ao turista. Só em Santa Catarina são quase 600 kms de litoral.

Por falar em praias, por mais democrático que seja este espaço, as pessoas ainda se organizam conforme seus grupos: a praia para quem tem filhos pequenos, a praia dos surfistas, a praia dos solteiros, a praia dos farofeiros, a praia dos pelados, e por aí vai. Os grupos se formam, as preferências se coadunam e a vida segue, mais ou menos como sempre, com exceção da pouca roupa. Nas cidades que tem praia, os discursos também se parecem a cada verão. Alguns locais pedem que acabe logo a temporada e que as visitas retornem aos seus lares sem praia; alguns visitantes reclamam dos preços, do trânsito, da falta d´água, mas adoram estar ali; outros tiram fotos, brincam na areia, enchem-se de churros com areia, e também adoram estar em “férias”.

Dessa forma, a cada verão, a alma das cidades turísticas é alterada, preenchida, agradecida por tantos visitantes, por tanta admiração. Há, claro, os que não retornarão nunca, talvez um pouco assustados com a falta de infraestrutura, com as águas frias, com a poluição invasiva e ofensiva de algumas praias, e na hora de pesarem prós e contras, perceberam que tiveram mais azar do que sorte, mais micose do que bronzeado, mais água-viva do que casquinha de siri, e que vir por aqui não foi uma escolha acertada. Coisa comum entre alguns turistas é a generalização: teve um entrave qualquer com um sujeito em Santa Catarina, todos os catarinenses são antipáticos, atendem mal, essas coisas. É da nossa natureza generalizar, atribuir ao todo o defeito, ou a qualidade, de um indivíduo. Lugares turísticos sofrem sobremaneira com essa característica humana. De qualquer forma, a maioria segue para atravessar 2012, esperando, ansiosamente, o próximo verão.

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