AGRURAS DA VIDA: ENFRENTAMENTOS

Crônica de Rubens da Cunha, publicada no Jornal A Notícia

No sábado, às 20 horas, ocorrerá no Teatro Pedro Ivo Campos, em Florianópolis o “Tributo a Severo Cruz – Renascer das Cinzas”. Severo Cruz é um importante músico e ator que teve sua casa destruída num incêndio. Diversos músicos, cantores e cantoras, além de outros artistas, vão se reunir para fazer um show beneficente, ajudando-o assim a retomar suas atividades profissionais e artísticas.

O que aconteceu com Severo Cruz é um desses fatos que nos fazem sempre perguntar sobre as injustiças do destino. Todos conhecemos alguém que não merecia e passou, ou está passando, por um perrengue de marca maior. O comentário mais comum, e até maldoso, é o de que tem tanta gente ruim por aí numa boa, e a desgraça vem pra quem não merece. Esse assunto ganhou, inclusive, alguns ditados populares. Os otimistas dizem que “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Trata-se de um olhar de resignação, de aceitação diante das mazelas do destino, de que há casos piores. Casos piores sempre há, mas isso não quer dizer que a resignação seja algo a ser respeitado 100%. Os pessimistas já dizem que “uma desgraça nunca vem só”, ou seja, se aconteceu algo ruim, se prepare que logo vem outra coisa piorar tudo. Pode ser que aconteça, mas não acontece sempre, enfim, as desgraças, as tragédias, geralmente, são acontecimentos impossíveis de prever ou de conter.

Para esse tipo de situação prefiro o “depois da tempestade, vem a bonança”. É otimista, mas não resignado, não nega o período ruim, mas também não o duplica ou acredita demais nele. Geralmente, a bonança vem pela solidariedade, como no caso dos artistas reunidos no show para ajudar o Severo, ou vem também por uma mudança de olhar frente as questões da vida, enfim, depois de um aperto, de um problema grave, a vida pode adquirir um novo sentido. É o velho e bom “o que não me mata, me fortalece”.

Para o caso de perdas materiais há também o “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Severo perdeu seus bens materiais, porém seu talento, sua criatividade permanecem com ele, e apesar das agruras, do cansaço, talento e criatividade recomeçam sempre, de um jeito ou de outro. O problema acontece quando as pessoas se apegam demais, transferem sua vida às coisas perecíveis, queimáveis, roubáveis e esquecem da coisa mais frágil que temos: a vida.

Engraçado perceber como a música brasileira se utiliza desses ditados nas suas letras: no clássico “Saudosa Maloca”, Adoniran Barbosa citava o já citado “deus dá o frio conforme o cobertor”. Paulo Vanzolini no sua “Volta por cima” falava das dores de amor, mas os versos atravessam essa questão e servem pra qualquer tipo de enfrentamento: “Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Já que Severo é músico e dos bons, diante de todas as agruras da vida, ainda cabe cantar os sábios versos de Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza a resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita…”.

Rubens da Cunha

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