O CACHOEIRA, A CACHOEIRA

Crônica de Marco Vasques, publicada no Jornal Notícias do Dia em 09/04/2012

A nossa gentil velhinha, Dona Lindomar, anda atenta aos acontecimentos de Bruzundangas. Umas das coisas que mais intrigam a coitada é a criatividade que se tem nas alcunhas dos larápios, assassinos e bandidos espalhados pela nação. Agora mesmo, não para de pipocar na imprensa a prisão do Cachoeira. E as pobres das cachoeiras, secas e praticamente em extinção em Bruzundangas, deságuam nas páginas dos jornais mundo afora como codinome de mais um bandido que tem ligações (ou seriam coligações?) com a turma do andar de cima.

Não poderia haver apelido mais apropriado, já que, pelo que se sabe, a movimentação da quadrilha é veloz feito cachoeira em dias de chuva. O montante financeiro que a rapaziada tá levando, tá mais para oceano que cachoeira. Mas bandido tem mesmo criatividade. Na maioria das vezes, Dona Lindomar tenta alguma justificativa antropológica para cada caso. Faz algum tempo, tivemos um tal de Macarrão. Esse, dizem, queria mesmo é ser comido. O desejo de ser alimento era tão grande que foi logo se identificando com o pobre do macarrão que é durão; durão, mas se der uma esquentadinha vai logo amolecendo. Daí já se pode ter uma ideia das ideias da Dona Lindomar acerca da intimidade do tal Macarrão que, como se sabe, conseguiu, com sua turma de sádicos, esconder para sempre o corpo de uma mulher.

A coisa anda tão evoluída que já se tem até monografia para se analisar os apelidos e suas correlações. É que, em Bruzundangas, qualquer coisa que se faça tem que ter o carimbo da academia. A pior besteira pode render um doutorado a um descerebrado qualquer. Mas Dona Lindomar vai por associação de ideias. O que teria vindo fazer o Beira-Mar em sua hospedagem pela Beira-Mar?

E o caso do Facão, bandido conhecido em Bundópolis como o tarado do Facão. A tese da Flavinha é que o desgraçado é desprotegido nas nervuras, porque andar para cima e para baixo com um facão na mão, obrigando as mulheres a ficarem nuas é algo inusitado demais, ainda mais porque o cara era inofensivo, dizem as reportagens. Dona Lindomar não entende esses paradoxos. O cara anda com um facão para cima e para baixo, pelando as mulheres, e a imprensa o chama de inofensivo? Só porque ele nada fazia, olhava a nudez e ia embora. Estranho esse Facão. Tá mais para gilete, completa a Flavinha.

 Temos ainda O Pimbolim, o Caçapa e o Bola 8, a turma da jogatina. Para eles a coisa pode se embaralhar a qualquer momento. O fato é que, com o Cachoeira preso, e a cachoeira de grana estancada, se espera que logo apareça novo protagonista e episódio. É só esperar!

Marco Vasques

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