O mês de maio

O MÊS DE MAIO

POR RUBENS DA CUNHA

Publicado no jornal A Notícia [08/05/2012]

Maio é um mês cantado em verso e prosa. Mês das noivas, mês das mães, auge do outono aqui no hemisfério sul, auge da primavera lá nos irmãos do norte. Maio é, sem dúvida, um mês singular. Vejamos algumas singularidades.
O mês das noivas é uma importação do hemisfério norte. Lá é primavera, flores, alegrias, a primavera servindo de anúncio para tempos quentes, renovados. Que melhor data para casar senão maio. Por aqui, maio é mais o mês das noivas porque os europeus assim instituíram do que uma tradição mesmo. Em princípio estamos no outono, como todos sabem uma estação linda, mas simbolicamente atrelada a ideia de quase final, de encerramento, algo não muito propício para os augúrios de um casamento.
Maio também é o mês das mães. Mais uma data importada, dessa vez dos americanos. Lá tem data fixa: dia 9 de maio. Por aqui, querendo dar uma inovada, Getúlio Vargas oficializou o Dias das Mães sempre no segundo domingo de maio. Aproveitando o ensejo de que maio é o mês das mães, os católicos instituíram também maio como o mês de Maria, a mãe de Jesus.
Interessante notar como esse mês está ligado ao feminino. É que esse nome parece vir da referência a deusas da mitologia grega e romana. Há duas versões. A romana diz que maio é o mês de Bona Dea, deusa romana da fertilidade, da virgindade e da cura. Outra possibilidade é que Maio seja originário de Maia, deusa grega, mãe de Hermes. Maia também é símbolo da fertilidade, da energia vital, da primavera. Todo essa gama de tradições ancestrais gregas, romanas, cristãs, reafirmam maio como um mês feminino. Claro, trata-se uma tradição de feminino que nos dias de hoje perde a força: a noiva, a mãe, a virgem. Enfim, as mulheres já estão muito além desses esteriótipos, no entanto o peso da tradição ainda é grande, ainda determina “verdades” subjacentes ao pensamento, tanto de homens quanto de mulheres.
Nas minhas pesquisas, descubro que em maio comemora-se bem mais que o dia do trabalho, das mães ou a abolição da escravatura. Temos também o Dia do Sertanejo (3/5); o Dia da Vitória (8/5), vitória de quem, pergunto?; o cada vez mais onipresente Dia do Automóvel (13/5); o obsoleto Dia do Datilógrafo (24/05), existiria ainda algum datilógrafo remanescente por aí?; o Dia do Gari (16/5); o Dia do Vestibulando (24/5). Porém o que mais me chamou atenção foi que no dia 7 de maio comemora-se o Dia do Silêncio. Como assim que o silêncio tem um dia? As explicações na internet são tantas sobre a origem desse dia que eu perdi a paciência, essa qualidade cada vez mais necessária, que não tem um dia para si. É aquela história, a paciência, igual as mães, merece todos os dias para ela. Só para constar: hoje, 9 de maio é o Dia da Europa. Em 1950, foi no dia 9 que começaram as negociações para criação daquilo que viria a ser a União Europeia.
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