Os partidos iguais – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia no dia  03/10/2012

OS PARTIDOS IGUAIS

PMDB=PTB=PDT=PT=DEM=PCdoB=PSB=PSDB=PTC=PSC=PMN=PRP=PPS=PV=PTdoB=PP=PSTU=PCB=PRTB=PHS=PSDC=PCO=PTN=PSL=PRB=PSOL=PR= PSD=PPL=PEN.
O texto acima não é um exercício de poesia concreta, ou uma brincadeira na língua do P. O texto acima é a lista dos 30 partidos políticos cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral. A ordem aqui é a mesma encontrada no site do TSE, já o = entre os partidos é uma licença poética deste cronista que pouco entende para que temos tantos partidos.
Chegamos a um ponto em que todos os partidos se assemelham, em que todos só deveriam se chamar “partido”, pois seus predicados político-ideológicos pouco ou nada servem (salvo raras exceções). Aliás, esse é um ponto que demonstra a gravidade onde nos metemos: toda vez que criticamos políticos, colocamos os honestos entre parênteses, como exceção, como se fossem avis rara no cenário geral.
Outro ponto assustador na recente campanha das eleições municipais é a absoluta falta de lógica nas coligações. Em Joinville e Blumenau, o PT e o PP estão juntos. Em Itajaí, separam-se. O PT não se coligou com nenhum grande, já o PP coligou-se com DEM, PSD e PMDB. Este último, por sua vez, em Florianópolis, coligou-se com PDT e PPS, contra os antigos aliados DEM e o PSDB, que estão coligados com PSD e PP… E assim segue ad infinitun. Não há qualquer princípio norteador nessas coligações, tanto que os nomes das coligações tornaram-se mais importantes, espécie de máscara para encobrir aproximações esdrúxulas: em Jaraguá, há uma que junta DEM e PCdoB. Como assim, cara pálida? E a história? Os grandes embates? As visões antagônicas de mundo? Tudo isso se perdeu diante do pragmatismo das coligações e seus nomes, perdeu-se num sistema político que exige a presença de partidos, mas não exige qualquer coerência desses mesmos partidos. Os defensores desse sistema dirão que conceitos como esquerda e direita não existem mais, que política é a arte de engolir sapos, que as aproximações são feitas para o bem comum. O velho discurso de sempre, só que essa forma de fazer política está chegando num nível absurdo. Pelo menos os partidos deveriam respeitar só uma linha de coligação, e não ficar variando como está acontecendo nos municípios.
Outros dirão que o partido não importa, que tem que se votar na pessoa. Pode ser uma saída, mas, por melhor que a pessoa seja, ela estará sujeita às vontades do partido. Por mais coerente ideologicamente que o político seja, ele vai ter que se aproximar do adversário de ontem, vai ter que fazer concessões. E de concessão em concessão, sabemos todos onde fomos parar. Precisamos, sim, urgente, de uma reforma política séria, de investimento na educação política dos cidadãos, para que estes sejam mais participativos, combativos, não se deixem levar pelas máscaras marqueteiras. Afinal, como diz uma frase espirituosa que circula na internet: quem não gosta de política é governado pelos que gostam.

Rubens da Cunha

 

 

 

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