Os Aviões – Crônica de Rubens da Cunha

OS AVIÔES

Crônica publicada em 09/01/2013

Observar aviões pousar ou decolar ainda é diversão garantida para muita gente. Chegando em Joinville num domingo à tarde pude ver que diversas pessoas estavam em torno do aeroporto vendo aquele pássaro de aço fazer o impossível. É isso, por mais que a ciência, a física, a razão expliquem como um avião possa voar, há sempre um componente de mistério, de susto, agonia e fascínio, que perpassa qualquer manobra que um avião faça. As crianças e adultos que ficam encostados na cerca para ver esse acontecimento comungam comigo a mesma perplexidade: como é que pode isso acontecer?

Eu gosto das duas perspectivas: a de ficar embaixo, mínimo, vendo o avião fazer as manobras. Na decolagem, parece um ônibus com asas, começa devagar, acelera e parte céu afora. No pouso parece um urubu que faz uns voos circulares e depois cresce até tocar, gigante, o chão.

A outra perspectiva é ver isso tudo lá de dentro do avião. A sensação de ser mínimo continua. Na decolagem, tem que prestar atenção aos comissários e comissárias com seu gestual decorado nos dando informações um tanto assustadoras: instruir os passageiros que, caso um pouso ocorra na água, basta retirar o assento e o levar para fora, com a mesma calma com que se oferece um suco é algo meio perturbador de se imaginar.

Além disso, enquanto se sente o trem de pouso no chão está tudo bem mas, de repente, há uma leve inclinação e percebe-se que o voo começou, que tudo vai ficando distante e logo chegam as nuvens. No pouso é a mesma coisa: lá de cima se pode ver a beleza da Baía da Babitonga, bem como as casas construídas nas ilhas que fazem parte da Baía, uns desmatamentos em São Francisco do Sul, o Canal do Linguado agressivamente fechado há décadas, enfim, aos poucos vamos nos aproximando até que o mesmo trem de pouso toca o chão e a normalidade se estabelece, tanto para os que estão dentro do avião, quanto para aqueles que ficam às margens do aeroporto vendo tudo.

O fato é que todo avião que consegue subir, uma hora ou outra vai ter que descer, então, o jeito é relaxar e aproveitar o fenômeno, seja como passageiro ou como um espectador às margens do aeroporto, num domingo à tarde.

Rubens  da Cunha

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