8 motivos para amar Tarantino – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A notícia, em 23.01

1. Nos últimos 20 anos, Quentin Tarantino foi responsável por criar uma galeria antológica de protagonistas: Vincent Vega e Jules Winnfield; Django, The Bride, Mr. White, são alguns dos nomes fundamentais do cinema contemporâneo. Além disso, nos filmes de Tarantino, os coadjuvantes brilham pela excentricidade, o humor, a maldade e se tornaram tão antológicos quanto os protagonistas.

2. Tarantino é americano sem ser americanoide. Ele carrega toda a tradição do cinema americano, mas dialoga com outras tradições, como a oriental e a europeia. Tarantino é um festival de referências, paródias, paráfrases, mas dono de tal personalidade criativa que nada se assemelha ao plágio ou à preguiça inventiva.

3. O cineasta cria as histórias mais esdrúxulas, faz aproximações improváveis, usa a violência como estética, brinca com clichês, ri o tempo todo de sua obra e de si mesmo. Tarantino é um cara legal porque convida o espectador a fazer o mesmo, além de torná-lo um investigador dentro de seus filmes. Ganha mais pontos quem consegue pegar mais referências, fazer mais conexões.

4. A mitologia. Tarantino é um dos poucos cineastas atuais que está criando uma mitologia por meio de sua linguagem libertária. A prova disso está no curta “Tarantino’s Mind” estrelado por Selton Mello e Seu Jorge, sobre a forma como o cineasta pensa seus filmes como obra única.

5. Os diálogos dos filmes de Tarantino são primorosos. Quem não se lembra da discussão sobre catchups, maionese e batatas fritas em “Pulp Fiction”. Em cada filme há uma parada na ação para que se entabule uma discussão aleatória e filosófica a respeito de um assunto inusitado. Só Tarantino consegue fazer isso de maneira crível.

6. A música. Não há filme de Tarantino em que a trilha sonora não seja muito intensa, participativa, memorável.

7. Tarantino é saudosista, mas sabe que o passado não dá camisa a ninguém. O que ele faz? Usa o passado para construir sua arte, sem fazer do mesmo um lugar onde tudo era muito melhor do que agora. Tarantino é o presente na sua melhor forma.

8. Talvez junto com Almodóvar, Tarantino seja um cineasta cujo nome é maior do que seus filmes. Porém, paradoxalmente, eles conseguem fazer filmes cada vez maiores do que seus nomes.

Rubens da Cunha

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