O engajamento sempre necessário – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 01/05/2013

O ENGAJAMENTO SEMPRE NECESSÁRIO

De maneira geral, os grandes artistas sempre tiveram posicionamentos políticos pouco conservadores, muitos até agiram de forma bastante transgressora, e não apenas nas posições políticas, mas no comportamento e na própria arte. Para muitos artistas, a arte, a luta política e a revolução irmanam-se no enfrentamento dos sistemas totalitários, dos sistemas injustos que predominam nas sociedades humanas. Artistas agem como vozes de ruptura da ordem, cuja força, não raro, é sufocada pela censura. Talvez seja da condição da arte esse engajamento.

Os anos de 1960 foram anos de engajamento por excelência. Em 1968, o dramaturgo Dias Gomes publicou um ensaio, cujo título era “O engajamento é uma prática de liberdade”. Trata-se de um texto fundamentado pelas ideias filosóficas dos existencialistas de que o engajamento seria aquilo que realmente libertaria o homem, aquilo que daria à vida humana maior qualidade. Não se trata apenas do engajamento político, pragmático ou panfletário, mas todo um comprometimento efetivo com a história que está sendo realizada enquanto estamos vivos. Engajar-se seria encarar a responsabilidade da liberdade, que não é um estado, mas um ato, tem que ser realizada, feita com ações diárias. Dias Gomes propunha o engajamento efetivo, real, aquele que se compro- mete com a liberdade e com o conhecimento, pois o engajamento em uma causa histórica, que tenha que encarar determinados valores, não será um obstáculo ao conhecimento, mas uma “necessidade da vida moral e um meio indispensável ao próprio conhecimento”, ou seja, o artista não poderia se eximir de engajar-se, de estar presente na luta.

Estamos num tempo de transição, mudanças estão acontecendo e forças contrárias a isso estão agindo de forma efetiva para atrasar ou matar tais mudanças. Se faz cada vez mais necessário que artistas assumam a responsabilidade de lutar pela liberdade. Não temos mais o inimigo tão visível quanto havia na década de 1960, agora ele está por aí, agindo sub-repticiamente, lutando contra a causa da liberdade plena a que temos direito. Se faz cada vez mais necessário que os artistas assumam o posto na linha de frente e engajem na causa da liberdade.

Rubens da Cunha

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