Crônica da Semana, por Marco Vasques

AS TATUÍRAS E OS BERBIGÕES BRIGÕES

Por Marco Vasques

Publicado no jornal Notícias do Dia [01/07/2013]

Não podia ser diferente. A gurizada está toda nas ruas. Alguns sabem exatamente o que querem, o que defendem e o que não desejam para este país tão carente de política públicas em todos os setores. Outros pensam que sabem que sabem. E há aqueles que pensam que pensam melhor que os outros, a ponto de chamar toda uma plateia de burra. Os intelectuais de Bundópolis adoram chamar a sua elite e a sua plebe de burra e tapada. Assim, claro, sentem-se mais inteligentes ― pelo menos é o que comprava a estatística.

E parece que para ser um intelectual em Bundópolis basta berrar bastante, chamar um monte de gente de burra e reivindicar políticas públicas decentes, ou seja, qualquer um pode ser chamado de intelectual sem sequer ter lido um único livro. Aqui, neste país, temos uma espécie bem interessante: as tatuíras artistas. Elas querem fazer a revolução total. São as sabichonas do pedaço e adoram embolsar um dinheirinho público. Existem algumas delas que até embolsam dinheiro de editais públicos sem sequer ter participado dele. E o pior é que saem por aí vomitando moralidade por tudo o que é canto feito berbigões brigões vociferantes.

Todos sabem que temos uma política cultural precária em Bundópolis. Não há nenhum brilhantismo em apontar uma questão tão óbvia que até a Dona Lindomar, a nossa velhinha do Córrego Grande, já aderiu às causas públicas. Todos sabem que precisamos avançar. Que necessitamos acabar com o clientelismo que se instaurou em todo o processo político do país. Que se faz urgente desfazer alguns mitos. Entretanto, o curioso, mas muito curioso mesmo, é que muitos dos arautos da moralidade, muitos dos brigões de plantão têm um discurso muito diferente da prática.

Quando editores de jornais empregam suas mulheres e as publicam descaradamente. Quando da participação em editais, simulam e se disfarçam para ganhar um dinheirinho extra. Quando são editores de revista de cultura, financiadas com recursos públicos, se publicam sem a mínima cerimônia e condenam a prática quando outro editor realiza uma entrevista com um dos nomes mais importantes do teatro nacional. Adoram conselhos de fachada, sobretudo os editoriais, bem daqueles que nunca se reúnem e nunca opinam. Sem falar naqueles berbigões brigões que vão para movimentos pedir políticas públicas claras e quando a manifestação acaba, são os primeiros a aparecer nos gabinetes de poderosos para pedir recursos, de forma muito escusa, para um e outro projeto seu. Esta é a revolução das tatuíras e dos berbigões brigões de Bundópolis.

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