Até quando? – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 10/07

Até quando?

1- Ciclista morre ao ser atropelado na Área Continental de São Vicente, SP;
2- Ciclista morre atropelado na zona sul do Rio e deixa trânsito complicado;
3- Ciclista morre atropelado na BR-290, em Eldorado do Sul;
4 – Ciclista morre atropelado na Estrada da Platina;
5 – Ciclista morre após ser atropelado por micro-ônibus;
6 – Ciclista morre atropelado na RJ-155;
7 – Ciclista morre após ser atropelado em avenida;
8 – Ciclista morre na PR-439 após ser atropelado por moto;
9 – Ciclista morre em acidente na Ismael Alonso;
10 – Ciclista morre após ser atropelado por ônibus em São Paulo;
11 – Ciclista morre em atropelamento em Nonoai;
12 – Ciclista morre atropelada em Catanduva;
13 – Ciclista morre atropelado por ônibus da São Joaquim – PI;
14 – Ciclista morre atropelado por táxi na Rodovia Ayrton Senna;
15 – Ciclista morre atropelado por moto em avenida;
16 – Ciclista morre atropelado na Estrada da Platina;
17 – Ciclista morre atropelado por caminhão de lixo no Rio de Janeiro;
18 – Ciclista morre atropelado por ônibus no subúrbio de Salvador;
19 – Ciclista morre atropelado em São Pedro da Aldeia;
20 – Ciclista morre atropelado no Alto Vale;

Estes são 20 resultados, escolhidos entre centenas, de uma pesquisa feita no google, no dia 08/07, buscando resultados apenas nas últimas 24 horas para a expressão “ciclista morre”. Até quando o que é, visivelmente, parte da solução para a qualidade de vida nas cidades será tratado como empecilho, como problema pelos administradores públicos? Até quando os ciclistas (e os pedestres) serão preteridos? Até quando pessoas, como a estudante Lylyan Karlinski Gomes, se tornarão mais um número nessa estatística vergonhosa? Até quando apostaremos num modelo falido de cidade: largas avenidas, viadutos, elevados, tudo para que o carro tenha seu ir e vir sem problemas? Até quando suportaremos manchetes com número dois da lista: ciclista morre e deixa o trânsito complicado? Até quando ciclovias serão apenas paliativos, breves espaços que geralmente ligam o nada a lugar nenhum? Até quando os institutos de planejamento urbano das cidades ficarão presos às politicagens de sempre? Quantos ainda precisam morrer?
Quando o óbvio será política de Estado e não uma utopia?

Rubens da Cunha

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