Crônica da Semana, por Marco Vasques

OS HATERS

Por Marco Vasques

Publicado no jornal Notícias do Dia [22-07-2013]

Circula pela internet uma figura muito típica dos nossos tempos. São os chamados haters. Numa tradução simples: os odiadores. Na real, eles sempre existiram e continuarão existindo. Não gostam de nada, destroem tudo pelo puro prazer da destruição. Mas não se trata de não gostar por assumir um senso crítico em relação ao mundo. Eles não toleram nada e não conseguem, de forma afetiva ou impositiva, argumentar sem que o seu oponente seja humilhado, agredido e eliminado.

Não estamos falando, muito obviamente, daquelas pessoas que discordam, discutem, expõem suas ideias e, ao perceberem que seus argumentos não foram suficientes para alterar o olhar do outro, saem de campo sem insultar seu adversário. É muito salutar, num mundo em que quase todo mundo diz sim a tudo o que é banalidade, não confundir os haters com aqueles que pensam diferente, que discordam, que têm opinião distinta e tentam, num embate honesto e de ideias, submeter seus conceitos à discussão. Um hater parece ter como objetivo primeiro o tumulto, o caos. Lembremos também que, via de regra, não é uma postura filosófica diante do mundo, mas, antes de tudo, uma postura de ataque a toda e qualquer opinião, seja ela divergente ou até convergente para com as suas.

Não tem jeito. Nenhum de nós passa ileso na existência sem conhecer, ter visto ou conviver com um espírito exterminador de um hater. É preciso dizer que não se trata, em hipótese alguma, de não admitir a existência deles. Faz-se necessário não ser binário. Esta semana, a filha de um poeta importante, que por ser filha de um bardo genial pensa ser, também, poeta, postou uma frase bastante curiosa na web que chamou a atenção. Num híbrido linguístico, ela escreve: “odeio os haters”. Nada mais hater que enunciar tal frase. Também não é o caso de negar seu ódio pelos demolidores de plantão. Sim, nós temos o direito de odiar ou amar o que e quem quisermos.

O problema é que o hater é um indivíduo ditador, prepotente, hipócrita,     cheio de verdade sobre todas as coisas e costuma emitir afirmações sobre assuntos que desconhece como se fosse doutor em tudo. Odeia as autoridades, mas é o primeiro a usar o discurso da autoridade para se impor. Odeia a violência, mas é uma bomba atômica ambulante. Odeia dinheiro, mas é empresário. Não faz muito tempo, um desses extremistas de nossa cidade disse, a toda uma plateia, que era especialista em semântica e linguística, e, por isso, estava autorizado a destruir um texto construído coletivamente. Talvez seja possível achar uma coerência nesse tipo de gente. Eles odeiam a democracia instaurada e agem como autênticos ditadores.

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