Mais do mesmo, até quando? – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 31/07/2013

O mais do mesmo, até quando?

O frio carcome o sul do Brasil. Nada que já não tenha havido antes e que também continuará num futuro próximo. A lei do eterno retorno parece continuar inexorável em nossas vidas. Parece que somos constituídos pelas repetições constantes, o mais do mesmo, as mesmas desgraças e alegrias de sempre. Talvez um pouco mais tecnológicos, mais rápidos no saber das coisas. As cruzadas continuam acontecendo, com sua vontade de levar, à força, a salvação aos impuros e pagãos. Os impérios continuam seus planos de expansão e escravidão. As guerras permanecem ainda a melhor tática de vitória. O homem continua degradando tudo por onde passa. Meia dúzia de poderosos comandam os sistemas políticos e econômicos. Nada demais, nada que já não tenhamos visto.  No entanto, continuamos tentando viver sob uma ética capaz de nos manter vivos, plenos, solidários. Continuamos lutando e tendo esperanças de libertação, esperanças de mudanças efetivas no quadro social. Tudo pode até se repetir, mas não é no mesmo tempo e espaço. Há um andamento aí, mal ou bem há alterações na ordem da repetição. Era inimaginável, há 100 anos, que as pessoas que não cumpriam o requisito básico do padrão dominante (homem-branco-heterossexual) estivessem conseguindo algum lugar ao sol. Por isso mesmo, é cada vez mais necessário enfrentar, lutar, gritar, estabelecer a igualdade, nem que para isso seja preciso ouvir, geralmente daqueles que cumprem os três requisitos básicos, que estamos sob uma ditadura “feminazi”, “gaysista”, ou que os negros tem tanto preconceito quanto os brancos, ou que o mundo é assim desde sempre, que mudar é impossível, que o grande sofredor da sociedade é justamente o homem branco e heterossexual. É preciso ainda lutar contra os obscurantismos religiosos, contra a carga deplorável de corrupção, contra as injustiças sociais e econômicas que se agarram no imaginário das pessoas como algo natural, como algo que é assim porque tem que ser assim. Estamos num tempo de mudança, um tempo em que mais do mesmo já não dá conta da carga revolucionária que se avizinha. Os reacionários deveriam saber que já perderam a caravana da história, afinal, também isso já se repetiu diversas vezes.

Rubens da Cunha

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