Viver Junto – Parte 1 / Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 07/07/2013

Viver Junto: parte 1

Estamos vivendo juntos desde sempre. Não se pode dizer que a convivência tenha sido harmoniosa, pois, se pensarmos de forma ampla, a história da humanidade é pautada por conflitos aterrorizantes. E se pensarmos de forma mais microscópica, individualmente, também nos pautamos pelas velhas relações de poder, de dominação, de manda quem pode, obedece quem tem juízo. O filósofo Michel Foucault afirma que “a humanidade não progride lentamente, de combate em combate, até uma reciprocidade universal, em que as regras substituiriam para sempre a guerra; ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue assim de dominação em dominação.”. Ou seja, vivemos juntos porque criamos um sistema de regras que, segundo Foucault, faz violência à violência, que vai dominando e estabelecendo como devemos viver juntos. Estas regras já foram mais duradouras e, normalmente, não eram muito justas ou igualitárias: a escravidão e a inquisição foram consideradas coisas normais, por exemplo. Não são mais, justamente porque as regras estão mudando cada vez mais rápido, basta ver que a longa história do patriarcado, do colonialismo, da exploração política e econômica está sendo diariamente contestada.

O século XX, apesar de todos os percalços, foi um século de reação: proletários, mulheres, negros, homossexuais, marginalizados em geral estão impondo sua pauta, estabelecendo também suas regras, dizendo que fazem parte da comunidade e que não tem que obedecer cegamente regras excludentes, discriminatórias, geralmente mascaradas pela hipocrisia da moral e dos bons costumes. O novo século iniciou com uma crise mundial econômica e política. O sistema capitalista, que cantava vitória, depois da queda do seu antagonista principal, tropeçou feio e suas regras, tidas como verdades absolutas por muitos, passaram também a ser questionadas, assim como muitos dos sistemas políticos atuais, que sob o manto de uma pretensa democracia, mantém grande parte das pessoas fora das benesses e dos direitos básicos garantidos pelas leis. Enfim, este início de século é mais um tempo de mudança no nosso jeito de viver junto, sobretudo no que tange as relações pessoais. Assunto para a semana que vem.

Rubens da Cunha

 

 

 

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