Viver Junto – Parte 2 / Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 14/08/2013

Viver Junto – Parte 2

São nas relações pessoais, diretas, rápidas ou demoradas que se forma o coletivo, que se forma aquilo que conseguimos detectar como sociedade. Estas relações estão em constante mudança, em constante alteração de costumes, de maneiras, de enfrentamentos. É inevitável. Alguns afirmam que estamos passando por uma crise de autoridade, sobretudo o que tange a educação: pais e filhos, professores e alunos, as relações já não primam tanto por uma convivência onde cada um dos envolvidos nesse complicado processo de formar uma pessoa sabia que espaço ocupar, que papel desempenhar. O que se vê é uma desordem, uma desestruturação no modelo que era vigente até há algum tempo. Havia uma demarcação maior dos papeis, sobretudo os executados pelos pais e professores: eles detinham o poder de mando, de liderança, cabendo aos filhos e alunos o espaço da curiosidade e da obediência, do aceitamento dessa estrutura até que chegasse o momento em que o filho se tornaria pai e o aluno professor. Sem dúvida, o mundo era bem mais dicotômico, mais preto no branco, porém, esse nosso tempo de agora é o tempo dos milhares tons de cinza. Há no ar uma falta de ar, há no chão uma falta de chão. Obviamente, toda a estrutura familiar e escolar é a que mais padece disso, pois elas ainda estão profundamente calcadas num modelo que ruiu e, em tempo de ruínas, geralmente o que predomina é o caos, a inversão caótica de papéis, filhos agindo como ditadores consumistas, alunos arvorando-se donos da verdade e, muitas vezes, portadores de grandes violências. Pais inseguros, transferindo suas responsabilidades aos professores, estes debatendo-se nas burocracias, na falta de estrutura das escolas, na ausência de valorização profissional. Diante do caos, o saudosismo se fortalece na ilusão de que o modelo anterior era bom e precisa retornar. Se fosse assim tão bom, não teria findado. O jeito é olhar para frente, encontrar nesse caos algum rastilho de esperança e apostar nele, acreditar que as relações éticas de respeito, generosidade, compartilhamento sobreviverão e apontarão novos rumos à convivência humana. Na semana que vem, alguns exemplos práticos disso na terceira parte dessa série “viver junto”.

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