Viver Junto – Parte 3 / Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 21/08/2013

Viver Junto – Parte 3

Há uma frase de autoajuda bem conhecida que pode nos dizer muito sobre que tipo de posicionamento tomar diante de um tempo de grandes mudanças como o nosso: “o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.” Infelizmente, muita gente ou é pessimista ou é otimista, ou seja, não faz nada, não se move, não atua. Quem move o mundo são aqueles que ajustam as velas, são aqueles que saem de suas posições, arriscam-se ao sabor dos ventos.

Se as grandes mudanças estão se firmando como novos paradigmas para nossa convivência mútua, vem muito de atuações anônimas, discretas desses ajustadores de velas. Numa sociedade do espetáculo como a nossa, na qual quem tem o poder de decisão prefere seguir as regras do marketing, prefere fazer shows sobre a inutilidade e a aparência, é preciso sempre olhar para quem realmente faz diferença. Nada daquela grandiloquência dos políticos, nem daquela papagaida hipócrita dos programas de televisão que dão casas, viagens, descobrem parentes perdidos. O que realmente faz a diferença são atitudes como as das professoras Heliete Schütz Millack e Mariza Schiochet que atuam diretamente na formação ética das pessoas, permitindo-lhes que elas sejam ajustadores de velas e não apenas reclamonas ou esperançosas inertes. Gente como o vlogger paulista Diego Freire Costa que criou um canal no youtube para comunicar ao mundo a presença sempre necessária de pessoas que fazem breves e pequenas ações de solidariedade e de carinho ao próximo. Gente como Eric de Almeida Costa que faz de sua deficiência auditiva um anteparo de mudança, de nova percepção, de inclusão num mundo em que a assecibilidade ainda é um problema social grave e que precisa cada vez mais de pessoas atuantes, capazes de compreender a necessidade de inclusão social em todos os níveis.

Os exemplos são infinitos e perduram, apesar das más notícias, do pessimismo e do otimismo cegos. Viver junto está cada vez mais complexo porque viver com dignidade está, finalmente, passando a ser direito de todos. Obviamente, muita gente ainda está fora desse direito, no entanto, a cada atitude solidária, a cada enfrentamento da ordem tida como natural, estamos movendo as velas para melhor. Sigamos, pois.

Rubens da Cunha

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