A trilogia de uma geração – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 04/12/2013

A trilogia de uma geração

Em 1995, o cineasta Richard Linklater e a roteirista Kin Krizan, junto com o ator Ethan Hawke e a atriz Julie Delpy deram ao mundo o filme “Antes do Amanhecer”. O filme nos mostra dois jovens que decidem passar apenas uma noite em Viena, pois ele irá embarcar para os EUA no dia seguinte. A partir disso, vamos acompanhando as conversas, as dúvidas, os sonhos dessa geração meio perdida, meio vazia. E, para os que pertencem à geração dos atores, surge também a identificação com aqueles sonhos e desilusões. Os jovens percebem-se apaixonados, mas impossibilitados racionalmente e geograficamente de ficarem juntos. No final, há apenas uma promessa de um encontro futuro. O filme nos passa a ideia de beleza e força dos encontros amorosos ideais, mas também de sua impossibilidade de permanência. O final em aberto trazia aquele misto de alegria e melancolia depois que se vê a efemeridade da beleza.
Em 2004, a trupe voltou a se reunir e lançou “Antes do Entardecer”. Descobrimos que o encontro marcado há 10 anos não aconteceu. Jesse se tornou um escritor de sucesso relatando justamente a sua experiência em Viena, mas ao mesmo tempo vive num casamento frustrado. Celine passou a trabalhar em ONGs ambientais. Encontram-se em Paris. Novamente, saímos com os dois conversando, relatando esses dez anos, percebendo que alguns ideais morreram, que outros permanecem, que certas oportunidades tem que ser agarradas, que continuam meio perdidos num mundo ainda mais perdido. Apenas, permanece entre os dois, aquela centelha de juventude. No final, a decisão tomada: é hora de viver outra história.
Mais nove anos se passaram, e novamente encontramos Jesse e Celine no filme “Antes da Meia-noite”. Agora, são um casal em crise andando na Grécia. Tem duas filhas gêmeas. Jesse tem que lidar com a saudade de seu primeiro filho que vive nos EUA. Celine tem o peso de ser mãe, de ter um trabalho, de cuidar de tudo. Mais tenso do que os outros, o filme é uma longa discussão da relação, mas também é uma aposta no amor, naquilo que constituiu a vida desses personagens e de todos nós que acompanhamos essa história. Que venha o próximo filme em 2023, queremos saber como eles estarão. Queremos saber como nós estaremos.

Rubens da Cunha

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