Crônica da Semana, por Marco Vasques

CAMINHOS DO TEATRO OCIDENTAL

Por Marco Vasques

Publicada no jornal Notícias do Dia [27/01/2014]

A crítica teatral Bárbara Heliodora acaba de lançar o livro Caminhos do Teatro Ocidental, pela editora Perspectiva. A obra analisa a história do teatro a partir da literatura dramatúgica. Uma obra que não se ajoelha a correntes e não se aprisiona no âmbito acadêmico, embora grande parte dela tenha surgido das aulas ministrada por Heliodora. Só o mais débil profissional do teatro (e como eles existem!) não observa que a história do teatro brasileiro, por exemplo, vem sendo construída, reconstruída e tramada porque existiram poetas, escritores, críticos e historiadores que acompanharam e registram o teatro feito em suas épocas.

Nunca existirá apenas um modelo de registro histórico. Bárbara escolheu transitar, avaliar e opinar sobre o homem, tendo como eixo a dramaturgia, pois, para ela, o texto “de cada período reflete como se vivia naquele momento, e, nesse aspecto, o teatro é precioso para completar tudo o que a gente possa querer saber a respeito da história de uma determinada época”. É a arte ampliando o nosso entendimento do passado.

A relação da crítica com os profissionais de teatro sempre foi tumultuada e conflituosa; no entanto, o crítico de teatro nada mais é que mais um trabalhador do teatro. “Eu amo o teatro. Minha vida está toda dedicada ao teatro”, diz Bárbara, que chegou a dizer em uma recente entrevista que gosta até do “mau teatro”. A crítica nunca é imparcial. O crítico que diz que é imparcial está mentindo, pois, antes de tudo, ele é um espectador. E o que difere o crítico de outros espectadores? Quase nada. Apenas o fato de que ele é um espectador que possui mais informação que a maioria dos demais frequentadores de teatro.

Bárbara deu inúmeras entrevistas por conta do lançamento desse livro e da passagem dos seus noventa anos. Disse: “um crítico pode não ter poder de esvaziar um teatro. É importante que assim seja, pois seria muito triste se um crítico, que é um profissional do teatro, retirasse as pessoas do teatro. No entanto, o crítico tem sim o poder de levar pessoas ao teatro”. E arremata: “os atores e diretores têm direito de não gostar de minhas críticas, assim como eu tenho direito de não gostar dos espetáculos deles. Penso que um bom crítico tem que analisar a obra que se apresenta no palco com a razão, mas também com toda carga de pessoalidade de que é constituído”. Quem ler Teatro explicado aos meus filhos, também de Bárbara, verá a sua imensa coerência, ao dizer que a crítica é o lugar do conflito, da razão, do opinativo, da insurgência da pessoalidade e, às vezes, do esquecimento.

 

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