Roda Viva – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 26/02/2014

Roda viva

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, na roda viva, naquele espaço de despedida, de adeus, de estar entre a partida e a chegada. Dias em que caminhar é a saída até a saída, até que se vislumbre novos termos, novos tempos de viver. A gente, que estancou de repente, precisa desestancar, precisa desmurar-se, desemparedar-se, e quantos verbos a mais forem necessários para entender que a gente quer ter voz ativa, quer sair do invisível, quer ser uma presença viva em todos os lugares e não apenas naqueles que nos reservaram. A gente quer no nosso destino mandar, fazer com que ele “não seja assim mesmo”, como insistem em nos ensinar, a gente quer as rédeas e os cavalos e a carroça e a estrada, a gente quer todas as direções, sem placas de não siga em frente, não vire à esquerda ou à direita. Mesmo que chegue a roda vive e carregue o destino pra lá, mesmo que a gente seja derrotado, abalroado, jogado no abismo com nossos cavalos e nossas rédeas, a gente faz do mundo uma roda, roda gigante, rodamoinho, roda pião, pois somos assim, quanto mais nos fazem invisíveis, quanto mais nos põe à margem, mais cercaremos os centros, mais nos infiltraremos nas seguranças físicas e morais das gentes que nos ignoram. A gente vai contra a corrente até não poder resistir e depois a gente continua e se gente ficar pelo caminho, partir ou morrer, a gente da gente também vai continuar até que não haja mais nada para se cumprir. Até que todos sejam visíveis a todos. A gente cultiva a mais linda roseira que há e haverá dia em que a roda viva não vai destruir nossas rosas, nossas dálias, nossas vontades de ter jardim também. A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar e mesmo que a roda viva fardada leve a nossa viola e quebre nossos dedos, mesmo que a roda viva televisionada nos julgue mais uma vez, mesmo que a roda viva religiosa nos condene antes, durante e depois dos nossos atos, mesmo que a roda viva encubra, modifique, desnorteie, a gente é mais, a gente está viciado em visibilidade, a gente roda mundo, e o tempo que havia parado num instante, agora anda, marcha, corre, voa e leva a gente junto nas voltas do seu coração.

Rubens da Cunha

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Uma resposta para “Roda Viva – Crônica de Rubens da Cunha

  • Maurélio Machado

    Bebida é água!
    Comida é pasto!
    Você tem sede de quê?
    Você tem fome de quê?

    A gente não quer só comida
    A gente quer comida
    Diversão e arte
    A gente não quer só comida
    A gente quer saída
    Para qualquer parte

    A gente não quer só comida
    A gente quer bebida
    Diversão, balé
    A gente não quer só comida
    A gente quer a vida
    Como a vida quer

    Bebida é água!
    Comida é pasto!
    Você tem sede de quê?
    Você tem fome de quê?

    A gente não quer só comer
    A gente quer comer
    E quer fazer amor
    A gente não quer só comer
    A gente quer prazer
    Pra aliviar a dor

    A gente não quer
    Só dinheiro
    A gente quer dinheiro
    E felicidade
    A gente não quer
    Só dinheiro
    A gente quer inteiro
    E não pela metade

    Bebida é água!
    Comida é pasto!
    Você tem sede de quê?
    Você tem fome de quê?

    A gente não quer só comida
    A gente quer comida
    Diversão e arte
    A gente não quer só comida
    A gente quer saída
    Para qualquer parte

    A gente não quer só comida
    A gente quer bebida
    Diversão, balé
    A gente não quer só comida
    A gente quer a vida
    Como a vida quer

    A gente não quer só comer
    A gente quer comer
    E quer fazer amor
    A gente não quer só comer
    A gente quer prazer
    Pra aliviar a dor

    A gente não quer
    Só dinheiro
    A gente quer dinheiro
    E felicidade
    A gente não quer
    Só dinheiro
    A gente quer inteiro
    E não pela metade

    Diversão e arte
    Para qualquer parte
    Diversão, balé
    Como a vida quer
    Desejo, necessidade, vontade
    Necessidade, desejo, eh!
    Necessidade, vontade, eh!
    Necessidade “Comida”Titãs
    Abraços Mestre Rubens.

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