Coincidência existe? Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 26/03/2014

Coincidência: incidência que acontece junto. Alguns desacreditam. Falam em destino, em cartas marcadas. Acreditam na inexorabilidade da vida: a estrada já está traçada, tudo o que temos a fazer é percorrer o caminho. O acaso, a coincidência seriam pré-determinados. Outros optam pela sorte. A sorte como algo capaz de explicar tudo, de explicar acontecimentos inexplicáveis, como o clássico estar pensando numa pessoa, dobrar a esquina e esbarrar nela. “Que coincidência!”, dizemos. Mas no fundo nos dividimos entre acreditar que foi realmente uma coincidência, que não havia conjurações do universo, do destino, ou que a coincidência nada mais é que o jeito mais fácil para explicar a sua própria inexistência: “coincidência não existe”, também dizemos. No entanto, o que colocamos no lugar dela? Que nome damos a essa inexistência que se faz sempre tão presente? E a dicotomia segue. Seguimos nos coincidindo pela vida, testando os limites desses acasos.

Relato aqui algumas “coincidências” (a palavra aparece agora entre aspas porque não me decidi ainda em qual lado estou; ainda não optei pelo acaso ou pelo destino traçado). Recentemente, estava num ônibus e atendi o celular, na conversa citei alguns nomes. Ao desligar, a mulher ao meu lado resolveu testar os limites da coincidência e me questionou se as pessoas de quem eu havia falado eram as mesmas que ela conhecia. Eram. A conversa se estendeu por toda a viagem e, obviamente, tocamos a questão do quanto esses acasos nos surpreendem. A mulher desacreditava em acaso.

Até agora, a “coincidência” que mais me surpreendeu foi uma que conseguiu provar o quanto o mundo é pequeno. Eu publiquei um conto em alguma página da internet, uma leitora entrou em contato comigo. Iniciamos uma amizade virtual. Quando eu fui a São Paulo, marcamos de nos encontrar no Bairro da Liberdade a uma determinada hora. Qual a possibilidade de nos reconhecermos antes, dentro de um vagão do metrô? Qual a possibilidade de pegarmos o mesmo metrô e o mesmo vagão, numa cidade com milhões de habitantes? Pois aconteceu, a “coincidência” antecipou nosso encontro. Aliás, não seriam todos os encontros coincidência, ou acaso, ou destino, ou seja lá que nome possa ter o mistério de vivermos sempre nos surpreendendo com o imponderável?

Rubens da Cunha

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Uma resposta para “Coincidência existe? Crônica de Rubens da Cunha

  • Maurélio Machado

    A coincidência existe sim! Já me deparei com muitas ocorrências em minha vida.
    Mitas vezes se penso numa pessoa (normalmente que não vejo há muito tempo) esbarro com ela na próxima esquina…Pode? Eu acredito…
    Abraços amigo e Mestre Rubens, fantástica sua crônica

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