Exercício de futurologia – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no dia 09/07/2014 no Jornal A Notícia

Escrevo na segunda, antes da primeira semifinal da copa, que será o jogo Brasil e Alemanha. Esta crônica será publicada na quarta-feira, ou seja, nesse hiato poderá ocorrer duas possibilidades: a vitória da seleção brasileira, ou a derrota.

Em caso de vitória, a quarta-feira será repleta manchetes jornalísticas falando do favoritismo brasileiro, de como a seleção conseguiu superar a ausência de Neymar, alguns falarão que a vitória foi dedicada ao “menino” Neymar, covardemente machucado, outros continuarão a demonização do jogador da Colômbia esquecendo os insultos racistas que ele sofreu. Outros, talvez para dar um ar diferente, afirmarão que Neymar nem faz tanta falta, que a seleção joga melhor sem ele, que a vitória, finalmente, foi da seleção e não de um jogador apenas. Teremos também mais um pouco da canonização de Neymar, deus abatido antes do momento da glória final. Haverá a repetição exaustiva dos melhores momentos e toda uma discussão sobre qual melhor time para se enfrentar numa final: Argentina ou Holanda. E claro, muitos farão a piada de que a copa foi comprada e devidamente paga, por isso estamos na final.

Em caso de derrota, o muro será de lamentações. Haverá louvores ao futebol técnico e sem emoção da Alemanha, que será chamada de máquina, tanque de guerra, muralha, qualquer coisa de intransponível. Atribuirão a derrota à ausência de Neymar e de Tiago Silva. Culparão o técnico que não soube administrar as ausências e manteve a estrutura dos jogos anteriores. Haverá a repetição do choro dos jogadores, as desculpas e justificativas de sempre. Falarão da imprevisibilidade do futebol, de quanto esse jogo é fascinante justamente porque pode ser decidido num instante. Longos debates ocorrerão em dezenas de mesas redondas pelo país. Todos terão uma explicação corretíssima para a derrota: Fred, Felipão, abalo psicológico pela ausência do Neymar, etc, etc. Obviamente, a canonização de Neymar continuará e a demonização do jogador da Colômbia também. E claro, muitos farão a piada de que a copa foi comprada, mas a Dilma não pagou o boleto, por isso não estamos na final.

Enfim, esse é um exercício de futurologia bem fácil. O que virá depois da copa é outra história bem mais difícil de prever.

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3 respostas para “Exercício de futurologia – Crônica de Rubens da Cunha

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