Crônica da Semana, por Marco Vasques

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS FESTIVAIS
Por Marco Vasques
Publicado no jornal Notícias do Dia [25/08/2014]

festivais artísticos realizados em Santa Catarina necessitam passar por uma profunda reflexão nos seus modelos. Porque eles já tiveram importância significativa e foram referência na troca de estéticas, de ideias e de conhecimento. Também contribuíram, e muito, para a formação de público e para a aproximação da arte à população. Não estamos, com isso, afirmando que eles não têm mais importância e que não são necessários. Eles precisam existir e se sabe da labuta que é para organizar um evento dessa natureza. Da mesma forma, que não temos uma política pública efetiva para os festivais. Tal carência faz com que realizadores passem por uma saga hercúlea e, muitas vezes, inglória.
No entanto, se faz necessário exigir transparência dos organizadores na gestão do recurso público. Todo festival deveria, no mínimo, expor seus gastos nas redes sociais, por exemplo. Muita gente vai torcer o rabo para essa proposta, mas só assim os festivais deixarão de ser o ninho de coleguismo e de interesses em que estão metidos. Se o dinheiro é público, o mínimo que se espera é que saibamos como e onde ele está sendo gasto; no entanto, caros leitores, tentem ligar para organizadores de festivais e solicitar o total de recursos recebido para a realização de seus eventos. Vocês se surpreenderão! Existem casos que nem Sherlock Holmes daria jeito.
Esta é só uma questão, porque a outra, e não menos importante, é fundamental e urgente. Trata-se das eleições curatoriais. Festivais feitos com dinheiro público não devem, em nosso entendimento, ser decididos exclusivamente por uma ou duas pessoas. É mais que sabido que não é papel do Estado fazer cultura ou juízo estético. Portanto, não faz o mínimo sentido se aconselhar com o poder público. Contudo, o setor e a cadeia produtiva da área — que têm sido olvidados — devem ser ouvidos. Algumas questões precisam ser enfrentadas com maturidade e coragem. Por que fazer um festival? Para quem se faz um festival? Para que fazer um festival que não tem público? Por que insistir em um modelo curatorial arcaico e ineficaz? Arrancar crianças da sala de aula e lotar os teatros uma vez por ano tem real efeito formativo? O que se pretende alcançar?
Os organizadores de festivais, em sua grande maioria, inverteram um princípio importante. O Estado não tem obrigação de repassar recurso, todos os anos, para os mesmos festivais, mas quem recebe recurso público é obrigado a fazer demonstrativo público dele. O que fragiliza o poder público nessa relação? Justamente a falta de uma política pública clara, efetiva e transparente para tais eventos.

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