Crônica da Semana, por Marco Vasques

OBSERVAÇÕES ELEITORAIS
Por Marco Vasques
Publicado no jornal Notícias do Dia [01/09/2014]

As propagandas eleitorais estão, ainda que não queiramos, em tudo o que é canto das nossas vidas. Em um ambiente democrático saudável, elas são essenciais para que possamos avaliar as propostas, conhecer os candidatos, avaliar programas e, por fim, escolhermos quem nos representará por quatro anos no comando das políticas públicas para todos os setores e atividades da vida em comum. Em condições normais, este deveria ser o panorama até que o dia das eleições chegue. No entanto, com o que a maioria dos candidatos vem apresentando, existem, pelo menos, duas questões que merecem reflexão. A primeira é que praticamente todos os candidatos têm pautado suas apresentações na transformação daquilo que é obrigação e não mérito.
Melhorar o sistema educacional, de saúde e de segurança; fazer obras que melhorem o transporte público e de alimentos; equilibrar os gastos da chamada máquina estatal; valorizar os servidores públicos e melhorar as condições de vida do povo são algumas das atribuições inerentes a quem pleiteia nosso voto; por isso, uma campanha alicerçada nesses tópicos é fruto de mera redundância. Demonstra, também, a evidência de que a maioria dos nossos representantes tem falhado, no decorrer da história, no que tange às suas obrigações com os recursos arrecadados dos cidadãos.
A constatação mais evidente disso tudo é que, de um modo geral, nossos políticos têm falhado em suas atribuições mais básicas. Não bastasse isso, quando fazem o que são eleitos para fazer, passam a usar o feito obrigatório como uma honraria. Esta é uma constatação preocupante, porque está absorvida no senso comum a ideia de que devemos referenciar quem fez, quando o feito é mera obrigatoriedade.
A segunda questão é a da honestidade. Parece que a corrupção e o uso indevido do recurso público são atos normais, porque a maioria dos candidatos está empenhada em se apresentar como homem ilibado e honesto. Outra inversão. Ser honesto não é mérito. Com isso, que fique claro: não estamos dizendo que todos os políticos são desonestos. A canalhice, por exemplo, não é uma prerrogativa dos políticos. Temos médicos, professores, pais, artistas, funcionários públicos, jogadores de futebol, enfim, em toda atividade humana vamos encontrar, em maior ou menor número, canalhas e afins. Ser honesto com a gestão pública é mais uma obrigação do candidato e não pode virar mérito.
Enfim, num país que teve a independência feita pelo filho do Rei, que a chamada Primeira República foi instaurada por militares, que antes de Getúlio teve o café com leite, que voltou às mãos dos militares e, finalmente, chegou a um arremedo de democracia, há muito o que se reverter.

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