Diario de viagem 1: Barcelona, Tortosa, Bitém -Crônica de Rubens da Cunha

Estou na Catalunha, a primeira parada é Barcelona. Cidade feita para ser agradável aos turistas, o que não deixa de ser agradável. O patrimônio histórico e cultural impressionate e sua cara cosmopolita, moderna, divertida, fazem de Barcelona uma força viva, porém mundializada demais. A Catalunha se revela melhor (assim como todo lugar) é no seu interior. Venho parar em Bitém, uma espécie de Pirabeiraba de uma cidade chamada Tortosa. E justo no final de semana em que acontece a principal festa religiosa do lugar. Toda a comunidade está envolvida em desfiles, rezas e oferendas à “la mare de Déu de l’Oliva”, nome da padroeira em catalão. No entanto foi num baile no galpão da comunidade que eu tive a sensação de ter atravessado o Atlântico, ter pego um desvio qualquer e ter parado num baile feito tanto pelas comunidades do interior de Joinville, Jaraguá ou Araquari, quanto aqueles que acontecem em salões como o Floresta, o Alvorada, o Estrela da Vila Baumer e que são animados por bandas como Corpo e Alma, Os Atuais, Sangue Latino. A semelhança era gritante: as roupas das mulheres, os jovens, a formação da banda e aquela breguice popular tão autêntica e divertida, a latinidade dessa parte do interior da Espanha é tão semelhante àquela presente nas camadas mais populares de Santa Catarina, que, de repente, não mais que de repente, eu estava cantando e dançando “Ai se eu te pego” e “Bará, bará, bará, berê, berê, berê” junto com outros sucessos espanhóis correspondentes. A lógica comunitária e religiosa é também muito semelhante: todos ajudam, todos se divertem. Para além das semelhanças, uma das características melhor que esse povo tem no sul da Catalunha é a forma como comem e bebem. Há uma ritualismo bastante poético e, claro, uma grande associação entre quantidade e qualidade, o bom é bom, mas quando é muito e variado, é bem melhor. O mesmo vale para as bebidas. Retorno à Barcelona, fico mais uns dias, faço o circuito turístico, no entanto, minha experiência nos dentros da Catalunha, lá onde a vida não é pensada para agradar turistas, é que vivi o melhor dos mundos: estar num lugar tão distante, com um idioma tão diverso e se perceber muito próximo, muito identificado.

Rubens da Cunha

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