Diário de viagem 3: Salamanca, Zamora, Tordesilhas – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 08/10/214

O motivo pelo qual eu vim para a Espanha foi Salamanca. Vim participar, na quase milenar Universidade de Salamanca, de uma jornada sobre o poeta Manuel Bandeira. Foram dois dias em que vi e ouvi espanhóis, portugueses e brasileiros trazerem à tona inúmeros aspectos da obra de Bandeira. Eu, inclusive, dei meus pitacos sobre uma das poesias mais completas da nossa língua. Salamanca concilia muito bem o fato de ser uma cidade turística, universitária e histórica, ou seja, é uma festa constante. Salamanca é cidade para se vir acompanhado ou para quem quer companhia. Perto daqui, fica Zamora, outro sítio histórico, dessa vez focado num conjunto impressionante de igrejas românicas. No entanto, Zamora é uma cidade que parece, por assim dizer, ter feito uma miscigenação entre o antigo e o novo. Geralmente, o que é deveras antigo avizinha-se de algo bem atual. Por não ser uma força turística, a vida dos habitantes segue o fluxo das necessidades de se construir e destruir, de se atualizar, enfim, de viverem mais o hoje do que o passado. Termino esse diário de viagem falando numa cidade quase que mítica: Tordesilhas. Aquela na qual foi assinado um tratado entre Portugal e Espanha, dividindo, bem divididinhas, as terras descobertas e por descobrir no Novo Mundo. Chego em Tordesilhas num sábado à tarde. De repente, começo ver pessoas fantasiadas. À medida em que entro pela cidade e vou me aproximando da Plaza Mayor percebo que não é um dia normal por lá. Estão em festa. Trata-se da Fiesta de los Medievales, na qual a população se veste como os medievais, decora a cidade com bandeiras, frutas, legumes, feno, barris de bebida e festeja, romanticamente, um passado assim não tão romântico. É como chegar numa cidade do num São João no Nordeste, a força folclórica é impressionante, mas não se coaduna muito com a realidade do dia a dia. De qualquer forma foi bom comer amêndoas caramelizadas e tomar cerveja tradicional, andar pela cidade em dia tão alegre e dar de cara com o castelo onde foi assinado o tratado. Não é uma construção imponente, mas mantém-se bastante digna ao longo dos séculos. Encerro aqui a viagem. Termino essa jornada pela Espanha com a certeza de que será preciso retornar.

Rubens da Cunha

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