Os 12 visíveis – Crônica de Rubens da Cunha

Os 12 visíveis…

Eles eram 12, capitaneados por um contador de 26 anos, e foram para frente do Batalhão Militar de Joinville, pedir o retorno do regime militar, apenas pelo desejo de querer transformar o Brasil em potência econômica e evitar que o governo comunista permaneça no poder. A sucessão de absurdos dessa informação nos faz acreditar que ela esteja na página de alguma ficção literária ou cinematográfica. Não está. Esse fato ocorreu em Joinville no último sábado.

A lista dos absurdos começa pelo fato de um jovem, que nasceu em 1989, ou seja, junto com a recente democracia brasileira seja um desejoso de um período que ele não tem a mínima noção de como foi. E não se trata de um saudosismo poético, como aquele visto no filme de Woody Alen, Meia Noite em Paris, mas o desejo que retorne ao país um regime que impediria totalmente que ele protestasse, na frente de um batalhão, pela volta do regime anterior. O outro absurdo está em achar que governo atual é comunista, ou coisa que o valha. A lista dos novos ministros e a lista das novas medidas são provas contumazes de que o governo não está muito afim de “comunistar”. Outro absurdo é querer transformar o Brasil em potência econômica. Ora, estamos entre as dez maiores economias do mundo, ou seja, já somos potência, o que falta é distribuição de renda, justiça social, reforma agrária, habitacional, educacional, etc, etc. O que falta é uma agenda de mudanças estruturais sérias e profundas. Coisa que os 12 do batalhão não devem querer porque querer isso é coisa de comunista. Claro, muita gente deve pensar que são apenas 12 pessoas, que não farão diferença nem conseguirão nada. Pode ser. O problema é que se esses 12 deram às caras, milhares de outros deram os votos a defensores de tais ideias como o deputado Bolsonaro, por exemplo. O ranço ditatorial está em voga, não apenas na vontade de que o regime militar volte, mas de que qualquer tipo de diversidade, de diferença, seja calada, suprimida do cenário.

A nota irônica está no fato que batalhão pediu para que os manifestantes saíssem da área militar e desobstruíssem a ciclofaixa. A nota não irônica é que temos que ter muito cuidado para que esse tipo de gente não obstrua ainda mais a liberdade e a democracia.

Rubens da Cunha

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