Uma proposta – Crônica de Rubens da Cunha

Crônica publicada no Jornal A Notícia em 25/02/2015

A última moda no Brasil é odiar o candidato alheio, e por consequência, odiar quem votou em tal candidato. Trata-se de uma troca de farpas que gasta uma energia considerável, até porque pouco atinge os políticos. Vou fazer uma proposta: que cada um cuide do seu político. Ou seja, todo o volume de raiva, de indignação, de crítica, em vez de ser destinada ao candidato adversário, que seja destinado ao seu candidato. Se agíssemos dessa forma, dilmistas focariam e exigiriam respostas, medidas, mudanças da presidente. Aecistas ficariam de olho no seu senador: sua presença ou ausência nas sessões, seus projetos, seu posicionamento enquanto oposição e em relação aos problemas e denúncias a respeito do seu partido. A mesma proposta deve ser estendida ao governos do estado e deputados estaduais, aos prefeitos e vereadores. Se cada um implicasse com o seu candidato como implica com o adversário, garanto que teríamos uma sociedade bem mais cidadã. Outro ponto importante para os críticos de plantão seria descobrir exatamente de quem é a responsabilidade e a culpa pelas situações ruins: saúde, educação, falta d’água, preço dos transportes, segurança, meio ambiente, entre outras questões têm seus responsáveis diretos entre as três esferas do poder executivo, então, que a crítica virulenta seja destinada ao responsável pela incompetência e desmando. Não adianta nada culpar a presidente se o posto de saúde não funciona ou se a escola municipal ou estadual está caindo aos pedaços. Além disso, teríamos que distribuir melhor o ódio. Focar só no executivo não adianta muito, pois me parece que, atualmente, esse poder está nas mãos do legislativo. Somos vítimas da tal da governabilidade a que os prefeitos, governadores e presidentes estão sujeitos. Assim, cadê a vigilância, a grita, o ódio destinado diariamente aos vereadores, deputados e senadores? Cadê a sua vigilância à produção e à produtividade dos eleitos para o legislativo? Por que existe tão pouca preocupação com esse poder? Talvez seja porque acompanhá-los, cobrá-los, exigir deles transparência e trabalho, seja algo bem mais trabalhoso do que apenas odiar os políticos à distância e no conforto das redes sociais.

Rubens da Cunha

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